domingo, 24 de junho de 2012


Adeus.

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Minha mãe sempre me disse pra me manter afastada de tipos como você, segundo ela, eles provocam corações partidos e magoas “não acredite neles minha filha, eles nunca retornam suas ligações, somem por tempos e quando voltam só querem te usar” e está certa, mas nunca fui de escutar minha mãe, sempre fiquei com a parte do “eu te avisei”, mas não te escolhi por que queria confrontar, escolhi você por aquele teu sorriso de canto que me faz ficar com as pernas bambas e ele é malicioso, cheio de segundas e terceiras intenções, e o brilho dos teus olhos sempre revelam o que você não diz, quando se trata de você tudo tem outra verdade, outra coisa escondida e foi isso que me atraiu, você é incerto e intenso demais.

No começo era um desafio e não iria me apaixonar por que você é daqueles caras que as garotas usam pra esquecer outro ou pra uma noite e só, mas nunca fui boa em seguir regras, em andar na linha e você era esperto demais. Me ligava com aquela voz rouca, dizendo que precisava me ver, me envolvia nos teus braços sempre quentes, e tinha aquele beijo como eu nunca havia provado, seu gosto era tentador, você é como algo projetado pra viciar, você é uma droga e eu gostava das sensações, gostava de ser chamada de sua, gostava do seu senso de humor sarcástico e gostava quando você me pegava no colo, gostava de ter alguém pra recorrer quando o mundo lá fora complicava, mas era só um passatempo pra um sábado a noite, ou um domingo a tarde, era só um cara pra me fazer esquecer, era só um cara que pela primeira vez não iria me apegar, mas você me conhece faço tudo errado.

Um dia percebi que sentia falta das suas piadinhas sem graças e do seu jeito bruto, acho que foi nesse momento que percebi que algo estava começando a nascer dentro de mim, por que antes era saudade e agora era falta e acredite há diferença, saudade a gente preenche, saudade é saber que a pessoa vai voltar, e falta é medo de perder não havia motivos, mas senti medo de te perder, corri como uma garota assustada pros teus braços e fechei os olhos senti que ali era o meu lugar, essa era a hora que deveria ter me afastado, deveria ter escutado os conselhos da minha mãe, mas fui adiante por que não queria admitir que havia algo além de diversão entre nós dois.

Foi rápido demais, em um dia você era só um qualquer e no outro mês você era uma parte essencial, precisava da sua voz, precisava do seu jeito desajeitado de dizer que gostava de mim, joguei pro alto a teoria de que você era brincadeira e me envolvi, sem medo do que podia acontecer. Era como se finalmente tivesse encontrado meu pedacinho do mundo, mas então aprendi que contigo nada é certo, que por mais que gostasse de mim você tinha aquele jeito canalha, já era seu e estava errada em apostar minhas fichas e meu final feliz em você, por que compromisso nunca foi a sua, eu passei de brincadeira a relacionamento-sério-fixo-eterno, enquanto você ainda estava na brincadeira-do-sábado-a-noite e isso só poderia acabar em algo ruim. Dizia que me amava, mas tinha necessidade de provar outros toques.

 Eu queria algo sério, enquanto você queria só mais uma, sei que sentia algo por mim, a questão é que eu estava pedindo o mundo enquanto você só poderia dar um terço dele, confesso que apostei demais em um cara que ainda via desenhos animados. Você era o garoto criança, mas completamente cafajeste, acho que te assustei, então você precisou arranjar um modo de mostrar que não era dependente daquilo que tínhamos, parou de telefonar, de dizer que gostava, parou de correr atrás e por fim decidiu que voltaria aquela velha filosofia “sou de todas” e mesmo assim eu continuava ali, por que no fim você voltava pra mim, pros meus braços, no fim era nós dois e parecia que nenhuma magoa importava, você sabia que me tinha sempre ao seu lado então não precisava cuidar, ou se importar.

Só que por mais que gostasse dessa intensidade, cansa ficar esperando, cansa ficar lá em um cantinho aguardando você me procurar, por mais que ainda sentisse falta e quisesse te ter, meu orgulho falou mais alto, depois de meses reencontrei a parte de mim que prometeu que nunca iria ser submissa a um homem. Pus um ponto final nessas suas idas e vindas sem condições ou termos, era o fim do que tínhamos, havia cansado de chorar e acreditar que você iria ficar de uma vez por todas.

Doeu, passei dias largada na cama, chorando e querendo voltar a atrás, mas meu corpo dizia que voltar iria me fazer pior. Você chorou e disse que iria mudar, mas já havia escutado aquela promessa tantas outras vezes. Sumi do mapa, parei de frequentar aquelas festas, de ir nos mesmos bares, apaguei seu numero e mensagens e te exclui das minhas redes sociais, dei um tempo pra mim. Um amigo seu me contou que você ficou mal, mas acabou se acostumando com a ideia e voltou a sua vida de antes. É, eu realmente amava por dois.

Hoje, agora escrevendo esse texto, não estou totalmente recuperada e o amor não partiu. Tenho outro alguém, ele é do tipo que minhas amigas dizem pra segurar, por que é raro ou pode ser que ele me magoe também e que meu amor por ele nunca seja tão intenso quanto o meu amor por você, mas estava na hora de me dar uma nova chance. Estou escrevendo isso por que recebi sua mensagem “Seja hoje ou qualquer dia, você é minha estrela guia” uma parte da nossa musica… O que pensou, que com uma simples mensagem iria me ter nas mãos? Não mesmo.

No dia que nos reencontramos e você disse que aprendeu o valor que eu tinha, senti que a vida realmente da voltas e as coisas mudam, antes seria eu correndo atrás, hoje é você vindo atrás e ganhando uma porta fechada, sem nenhuma abertura pra você entrar e se acomodar . Não me arrependi de ter te amado e nem deixei de amar, só descobri que você era clichê demais e que se encaixa naquela frase "perder, pra dá valor", teve sua chance de ser eterno pra mim e desperdiçou e agora há outro dando valor, pra não perder.

Talvez o beijo dele não seja tão bom quanto o seu, ou que ele não saiba me fazer sorrir que nem você fazia, mas ele me cuida e nos braços dele me sinto segura, como há muito não era nos seus. E saiba que estou escrevendo sobre o que tivemos, o que fomos e o que vivemos, por que sinto que de uma vez por todas estou te deixando ir da minha vida, e talvez do meu coração. Adeus.

3 comentários:

Juliana. disse...

Blog é bom por isso. A gente pode desabafar o coração. Desejo-lhe sucesso com seu blog. Um beijo e tudo de bom.

Isabel disse...

muito lindo aqui, adorei. seguindo, segue de volta? http://whatawonderfulblue.blogspot.com.br/

Laryssa Santos disse...

Obrigada. :D

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