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segunda-feira, 22 de outubro de 2012


Uma carta feita de forma errada e de mal jeito.

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Eu queria conseguir por para fora tudo que está entalado aqui, por num papel tudo que me faz olhar pro nada e me perder, por um remetente e mandar pro dono de todas essas confusões, queria conseguir escrever algo que fizesse sentido ou pelo menos queria todos os meus sentidos de volta ao ritmo certo, não precisar medir palavras ou conter emoções  ser pura e transparente como era, mas não tem jeito, algo caiu nas minhas águas cristalinas e calmas e hoje estão tumultuadas e borradas, densas e tempestuosas.

Moço, acho que isso é uma carta feita de forma errada e de mal jeito, talvez pra combinar contigo ou seja só minha ironia falando mais alto, é que não daria pra começar com querido, amor ou essas coisas, já que não sei como posso te chamar, então chamemos de moço como naquele livro que amostrou, e disse que eu era como a menina da história, lhe perguntei como ela era e respondeu-me: "calma, verdadeira e surpreendente" posso lhe contar agora que dela não tenho nada, que sou absurdamente nervosa quando não responde minhas mensagens, e que deixei de ser verdadeira a partir do momento que disse para não gostar de você por que não me faria bem, quando na verdade já estou perdida nesse labirinto que você é, então ri e disse que não seria louca o bastante, mas olhe para mim já não sou louca o bastante quando aceitei te querer, e surpreendente é não ter percebido como meus olhos brilhavam naquela ultima vez que nos encontramos, ou será que viu e disfarçou?

Eramos dois estranhos, ou ainda somos e essa indecisão está matando aos poucos, desculpe-me, mas  sou mais verdadeira escrevendo do que dizendo, tenho medo desses teus olhos pequeninos que sempre me transmitem um tremor, será que pode ser aquilo que também rima com dor, mas que alguns dizem que é bom (amor?), não gosto da sua fumaça, mas acho que ela acompanha bem esse teu jeito de andar e de me olhar com cara de quem promete o mundo, e seus gostos me aterrorizam, todos já me disseram que era errado pra alguém tão certa, menina ingenua não é assim que dizem de mim, e mal sabem que gostei de ti por essa perdição toda. Disse-me que quando gosta, gosta mesmo então lhe peço por favor goste um pouco de mim, sem pressões ou justificativas só me diga que há algo em mim que te faz bem.

Naquele julho longo, algo transformou uma noite em três meses, não sei de que, admito que as vezes essas faltas de respostas me consomem. Confesso que acho fofo a maneira de como pra você sou sempre tão pequena e preciso de cuidado. Seu cheiro está comigo moço, desde aquele dia. Sei que era pra ser uma carta lhe dizendo que não suporto mais as noites rodando na cama revivendo teus dizeres só pra ter certeza do que significavam, repassando cada segredo compartilhado pra saber cada pequena mania sua, continua decorando teu quarto com aqueles teus desenhos?

A ultima vez que nos vimos me deixou perdida entre a decisão de ficar ou partir, de não saber desvendar se era pra me testar quando dizia que era pra não gostar de ti ou se era um aviso por que percebeu os primeiros sinais de fumaça que meu corpo emitiu, aliás obrigada por parar com aquela tua fumaça. Me fez ficar entre sorrisos e lagrimas quase caindo, mas no meio daquela euforia algo me protegia, talvez fosse o gosto dos teus lábios que ainda estavam nos meus. Me diga que já deve ter ideia do quanto está me deixando louca, e feliz, feliz por enfim sentir o gosto de se apaixonar. É isso moço, uma das primeiras vezes que lhe escrevo espero que goste e ponha teus óculos para ler, te acho tão lindo com eles. Acho que nós somos uma daquelas coisas que não tem sentido, nem razão e mesmo assim acontecem. É, o fim e torço que seja só o da carta não o nosso. Então ainda me acha parecida com a garota do livro calma, verdadeira e surpreendente?

Com todo "sei la o que temos"
Da garota que você confunde
Para aquele moço que todos dizem, que irá machuca-la.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012


Lembranças

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Abri a gaveta de lembranças, sonhos perdidos, amizades que o tempo levou, disfarces que já não importam mais, tudo ali guardado, tudo que eu fui e que hoje parece errado demais, ou saudade demais. Um passado inteiro em uma pequena gavetinha, que nunca abro, herdei uma filosofia da minha mãe: Reviver é ficar parada no tempo, viver é seguir.

Mas hoje deu vontade de lembrar minhas raízes, as coisas que passei pra hoje ter esses sorrisos e esse jeito desajeitado de nunca saber o que fazer, achei um punhado de palavras que eram pra ser eternas, eram... Esses verbos no passado são assustadores. Achei o primeiro amor, a primeira decepção e a primeira vez que comecei a fingir, foi naquele dia que começou a ser uma peça sem final, minha vida se tornou varias cenas juntas presas no mesmo roteiro. Vi fotos de festas vazias, recados de pessoas que hoje não lembro nem o sobrenome, achei uma carta de amor com o cheiro dele marcado, me redescobri.

Poeira demais, cadeados demais, então você se dá conta que sua história cabe em um lugar quadrado sem nada de especial, se dá conta que não mudou o mundo, e que em hipótese nem tenha deixado ele te mudar, a verdade é que temos receio de cruzar pontes erradas, e acabamos arrumando um lugar confortável a sombra e vemos os dias passarem, comodismo disfarçado de entusiasmo, assim a ponte não rompe por peso demais, ou não balança por ventos fortes e vemos outros cruzarem um caminho que era pra ser nosso, e ainda assim continuamos sentados esperando que caia do céu um atalho, sem dores ou qualquer perigo de cair, mas a vida é meio que traiçoeira poupamos caídas no começo para encararmos um precipício no fim.

Hoje sei disso, sei que joelhos ralados e corações partidos tem a mesma importância, e sei que tudo que tenho guardado na minha gaveta de lembranças poderia ter sido maior, não me arrependo do que fiz, mas as vezes é agoniante olhar pra trás e saber que deixei  ir, deixei partir por que tive medo de rir e sentir. Talvez se tivesse arriscado mais, seria mais confiante, mas como se diz por aí.: O que passou, passou sem arrependimentos. Aprendi que é preciso pular sem pensar no que vai haver no fim da queda. Por mais que não me orgulhe de algumas escolhas, elas me trouxeram até aqui, então guardei novamente na gaveta, e pus no alto do amario, trancada a sete chaves, daqui a algum tempo guardo mais, e jogo algumas lembranças foras. Mesmo que não goste do passado que tem lá, ele existiu e a única mudança que posso fazer, é arriscar mais hoje pra que quando abri-lá novamente por histórias das quais fui protagonista.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012


Naquela velha música que todos já sabem cantar, mas só nós sabemos tocar.

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Você ta sempre batendo as portas, a cada partida sua é mais um som da porta do carro, da sala, da cozinha, mais uma porta entre tantas que você fechou pra nós. E quando volta é o barulho do seu carro fora de moda e que precisa urgentemente de uma nova pintura, que nunca conserta por que acha original, o que temos é quase uma opera, tantas melodias, notas e compassos juntos, as fortes e doloridas, as fracas e acolhedoras, um vai e vem de nós, os nossos que nunca desatam.

Estamos sempre querendo terminar a musica, trecho final, mas continuamos naquele refrão "fica, vai, volta, fica, vai" não que faça sentido, ou vire um hit de verão, mas é assim, nunca botamos um paragrafo e fim, talvez adiemos a ultima nota musical por que preferimos a dor do que o fim, lá no fundo atrás do nosso orgulho que diz que precisamos acabar com tudo isto, há algo que prefere a dor do que o silêncio, nunca fez sentido insistir nessa nossa composição, junção, por que cá entre nós sabemos de trás pra frente e de frente pra trás,  que o som do meu coração não é compatível com os acordes dos teus pensamentos, você tá mais pra um rock e eu pra MPB, acelerado demais pro meu ritmo calmo e frágil.

E ainda sim,você insiste em voltar com sua blusa larga, seu boné de lado e seus palavrões então pra me afastar procuro defeitos,sua barba mal feita, seus vícios horríveis, sua falta de compromisso com a verdade, mas esqueço todos quando me acolhe nos teus braços, naquele calor que já faz parte da minha frieza, nas tuas andanças por outras esquinas. Queria trancar as portas, tampar as janelas, escutar mais meu corpo do que nossos sons, queria passar reto por nossos cantos, e parar aquela sensação estranha de que está sempre faltando uma parte, cessar nossas músicas, caminhar sem precisar da sua mão entrelaçada na minha.

Doí, há moço como doí, sempre que bate outra porta, esbraveja nosso amor e jura nunca mais voltar, dói sentar na cama e escutar os velhos conselhos e dura uma semana aquela rotina de não ter sinal de vida, saber se exagerou no álcool e se perdeu, olhar pras ruas esperando ouvir o som do teu carro retornando pra minha porta com suas desculpas ensaiadas. Doí demais saber que você precisa partir pra assim dar valor e é constrangedor ter a plena certeza que vai dar errado como todas as outras vezes e mesmo assim te espero ali sentada com um sorriso de orelha a orelha como se fosse a primeira briga, e já me perdi nas contas é o que a nossa decima briga este mês?

Me pergunto todas as vezes que te vejo sumindo pela rua, se vou enjoar da nossa repetida música, que toca semana sim e semana não dentro de mim, que ganha as mesmas rimas, antes precisava de novos ares e depois de você passei a precisar só dos teus mesmos sorrisos. Mas isso é só mais um desabafo, por sei que que quando o dia me avisar que está na hora do seu chegar, correrei para aquele teu perfume enjoativo e suas rosas de plastico, pros nossos bares, nossos mares e indecisões. Naquela velha música que todos já sabem cantar, mas só nós sabemos tocar.

domingo, 22 de julho de 2012


Chegou o fim, o nosso fim.

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Por favor se não for pra ser tira do meu coração, se o tempo não conseguiu nos mostrar o que é amar leva embora o que chamamos de amor, se não for pra ser bonito e só houver dor leva pra bem longe me faz esquecer que um dia já fez parte de mim, se no fim do caminho só houver arrependimento, poe um ponto final agora, se não trouxer sorrisos não me deixa perder tempo com as lagrimas, sei que no amor há sofrimento, mas depois de tantas magoas já não sei mais como chamar o que temos.

E hoje o que restou, são duas pessoas tentando acertar em cima de algo que não tem mais volta, não há como voltar atrás, pegar o relogio e voltar pras horas que palavras duras foram ditas, me calar e só te abraçar forte, querendo dizer que estou aqui ao seu lado, de voltar aos momentos e aproveitar não deixar nenhum olhar passar, nenhuma caricia, voltar o relógio para quando nosso amor trazia boas lembranças.

Saudade de quando o telefone avisava que tinha uma nova mensagem e era sua, saudade de escutar sua voz rouca de sono ao celular, saudade das nossas brigas bestas que sempre acabavam em beijos, saudade dos seus carinhos, saudade de quando nosso amor fazia bem aos dois e hoje fere, nos faz pensar no que estamos fazendo e por que teimamos se está estampado que não é mais nossa vez. Por que insistimos se saímos machucados, e que todo o afeto que havia está se acabando, ao ponto de te olhar e sintir um calafrio e me preparar pra proxima ferida que irá fazer.

Tentei por vezes que tudo voltasse a ser como era, que seu nome me trouxesse felicidade e seus braços me dessem conforto, mas chegou ao fim, acho que depois de tantos erros e desencontros chegou ao fim aquela vontade de estar com você, vontade de saber que era meu. Foi ocupada pelo medo que você acabe com o que resta de mim. Doí saber que terminou por que a magoa está superando o que diziamos que ia ser eterno.

Como explico a minha alma que está terminando, como digo ao coração que você não será mais o dono dele, como caminharei por aí sem seu toque, como dizer ao meu corpo que suas mãos nunca mais percorreram por ele, como me convencer que chegou ao fim. Como entender que mesmo que ainda haja sentimento, ele já não é mais forte para sustentar. Cansei de lutar contra os ponteiros do relógio, viramos dois estranhos, o nosso tempo se acabou. 

Sempre terá sua música preferida tocando na rádio para lembrar, aquele seu cheiro perdido nas minhas roupas... E acho que isso é um adeus, por que nunca escrevi para você, nem uma linha sequer e hoje me peguei relembrando cada segundo, me peguei perdida na nossa história e com uma vontade de chorar, de por pra fora, de te por pra fora do que disse que cuidaria bem, do meu coração.

Estou te deixando ir, por que depois de tantas sorrisos só restou o silêncio que nos diz que nosso amor também silenciou e tentar achar voz em meio a isso é só acumular mais dores e não quero que tudo termine assim, não quero que nossos erros acabem com que resta entre nós.

Isso é um adeus ao seu jeito de dizer que gostava da minha risada escandalosa, adeus a nós.