quinta-feira, 6 de setembro de 2012


Re-começar.

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Estou indo sem dar adeus, pus a placa de "vende-se" e deixei nas mãos da corretora, removi os quadros e o cheiro de rosas branca, fechei as janelas, tirei minhas partes. Treinei outro sotaque, pus as roupas na mala, liguei para uns amigos e tenho hospedagem, liguei o carro e não olhei para trás uma vez se quer. Fuga, salvação chame do que quiser já não importa mais, só não diga que é desistência. Por que se há alguém que tentou até o fim esse alguém é a pessoa que atravessou os limites da cidade e respirou aliviado. 

Dei um jeito na bagagem, tirei a poeira do canto e de uma vez por todas catei as migalhas, reconstruí o que estava quebrado. Nunca gostei de aeroportos, mas este me conforta já longe do que um dia chamei de lar, com infinitas possibilidades a frente algo parece mais leve, posso respirar novamente. Voo atrasado, pessoas indo e vindo. Qual será a história do casal sentado na minha frente, juntos desde sempre e se amando até o para sempre, poderia ser nós dois. 

A uma jovem e o coração dela parece tão partido quanto o meu, queria abraça-la e dizer que na juventude tudo é mais intenso e que vai passar, um dia vai jogar tudo pro alto sem meios termos. Uma criança sorrindo, o riso mais sincero que vi nestes últimos meses. A única sinceridade neste ano, destinos se cruzando em um ponto de partidas. Poderia ser o inicio de uma história de amor, duas pessoas que se encontram quando estão fugindo delas mesmas, mas há coisas que não dão pra esconder, estou indo embora e não há ninguém para me buscar ou me beijar antes de embarcar rumo a um amanhã. É como tem quer ser, tudo durou o tempo bastante para curar. Voo 300152, rumo ao futuro. É o meu, uma olhada pra trás e você não está lá, melhor assim. 

Apertei os cintos, fechei os olhos, documentos guardados, celular desligado, mensagens de despedidas enviadas, a sua carta que não cheguei nem na metade "Adeus", e então depois tudo fica nublado e sem argumentos. A porta ainda está aberta poderia correr, desperdiçar todo o dinheiro sem culpa e voltar pro ontem, mas já conheço essa história. 

Decolamos, nuvens e mais nuvens. Nosso amor poderia toca-las recordasse? Me sinto leve, perto do céu onde tudo parece mais sublime, todas as dores ficaram lá em baixo no primeiro degrau do avião, nos primeiros segundos dessa subida, agora é novo. Sem tempestades, sem raios. Calma e tranquilidade, não é uma história de amor. Mas é a minha história, o meu recomeço feliz. 

2 comentários:

Cat Campos disse...

É isso mesmo! Recomeçar ás vezes é o melhor caminho, deixar o passado pra trás...
Lindo blog, Lary!
Bjs.
http://endless-books.blogspot.com.br/

Samyle S. disse...

Recomeços são muito importantes, por mais que sejam dolorosos e que o passado tente nos seduzir. É bom recomeçar, é necessário crescer.
Seu blog é lindo, seguindo *--*

http://florescerepalavrear.blogspot.com.br/

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